Home Orkut @3em1 Facebook Feeds RSS

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Uma aula de publicidade e cultura

Maria Aparecida Torrecilhas é formada em Publicidade e Propaganda e em Artes Plásticas pela Ufes. Ela é professora das disciplinas ligadas à Criação Publicitária na UVV desde 2004, orienta a Agência Experimental de Publicidade e Propaganda e coordena o NAU - Núcleo de Audiovisual da mesma faculdade. Especialista em Marketing e publicitária da área de criação, Aparecida já foi consultora de comunicação, com ênfase na área de criação e planejamento publicitários. No último ano, atuou na área de produção cultural, em projetos junto ao Maes - Museu de Artes do Espírito Santo, realizando oficinas. Ela é uma das palestrantes da próxima edição do 3em1 e conversou com nossa equipe para mostrar qual será o seu foco na palestra:

1) Quais são as principais ligações entre Publicidade e Cultura?

A publicidade pode ser inserida entre as manifestações da cultura de massa ou cultura POP, já que é uma expressão típica das chamadas mídias de massa. Se considerarmos cultura como a reunião das práticas, comportamentos, valores de uma determinada sociedade, a publicidade pode ser considerada como um dos elementos constituintes (de certo modo como reflexo), da cultura da sociedade capitalista moderna. Já se falamos do ambiente cultural, no sentido do campo de manifestações de artes plásticas, música, folclore, teatro, dança, etc., costuma-se ver a publicidade como excluída desse contexto, pois lida com a lógica do lucro, vende a imagem de marcas e empresas, tem objetivos mercadológicos, de persuasão e de venda. Nesse caso, dependendo de como é utilizada, pode ser uma ferramenta para a divulgação de ações culturais.

2) Na sua opinião, o tema "cultura" vem sendo abordado dentro da sala de aula das universidades, nos cursos de Publicidade e Propaganda, como um ramo a ser seguido, nesse caso, o de produção?

Não da forma como poderia ser abordado. Os cursos de publicidade ainda focam suas estruturas curriculares na inserção do profissional em áreas tradicionais (agências, veículos, departamentos de comunicação de empresas). Não que o tema cultura em si não seja discutido em sala de aula, mas o direcionamento para a produção cultural acaba sendo feito de forma fragmentada, dependendo, muitas vezes, do interesse espontâneo do aluno. Disciplinas ligadas à produção audiovisual, por exemplo, costumam abrir brechas para esse interesse dos alunos pela área da produção cultural.

3) Como um profissional da área publicitária pode trabalhar no cenário cultural capixaba?

O Espírito Santo, como sabemos, tem uma riqueza cultural ainda não explorada de forma adequada, desconhecida dos próprios capixabas. No sentido mais óbvio, o publicitário pode atuar na construção de estratégias de comunicação específicas para a divulgação das atividades culturais capixabas, tanto dentro, quanto fora do Estado. Mesmo pequenos projetos em parceria com instituições culturais locais podem contribuir para alavancar suas ações, aproximá-las do grande público, aumentando a participação de pessoas no circuito cultural. Falando diretamente do campo de expressão cultural, a produção audiovisual, por exemplo, costuma ser uma área em que o publicitário se sente confortável, pois pode ampliar sua atuação em produções publicitárias, alçando voos ainda mais ousados na produção cinematográfica. Há ainda a possibilidade de participar ativamente da produção cultural do Estado, campo em que o publicitário pode se dar muito bem, devido ao seu senso prático e seus conhecimentos em planejamento, marketing e estratégias de comunicação.

4) O profissional, ao sair da faculdade, está preparado para atuar na área de produção cultural?

Sim e não. Na verdade, quem sai da faculdade pode estar preparando para várias áreas de atuação ou para nenhuma. Depende muito da forma como o aluno enxerga a faculdade e a si próprio. Como nossa área é “atravessada” por diversas áreas de conhecimento (antropologia, sociologia, psicologia, filosofia, artes e outras), cada uma delas pode abrir imensas possibilidades de caminhos a serem seguidos, tanto acadêmicos, quanto no mercado. Como professora, eu vejo que os alunos, muitas vezes, não percebem as oportunidades que perdem durante o curso, por uma visão limitada das possibilidades que cada disciplina pode abrir. Sem dúvida, produção cultural é uma área que se inclui entre essas possibilidades, mesmo que não abordada especificamente na estrutura curricular do curso. Se esse é o interesse do aluno, ele vai buscar subsídios para se preparar para atuar nessa área.

Por Marcelle Desteffani

Nenhum comentário:

Postar um comentário