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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rodada de perguntas: Marketing Político

1) É possível, através de um Marketing Político bem elaborado, eleger um péssimo candidato?

Janaina: Por trás do candidato, há uma pessoa que existe a priori da campanha. Se a estratégia não for de acordo com ela, a campanha não funciona. Se a linha não condiz com o candidato, não funciona. Tenta-se mascarar, mas tudo tem limite.
Margô: Tudo é relativo. O que é bom para mim pode não ser para o outro. É preciso ter essa noção, sobre o que é ser um mau político.
Tyago: Não só o Marketing Político é capaz de elegar um mau candidato, ele é apenas um dos elementos.

2) O que vocês acham de “celebridades” se elegerem? Há uma ligação por sua imagem estar na mídia?

Janaina: Antes, votar em famosos funcionava como voto protesto, mas hoje a fama se tornou sinônimo de qualidade. Se a pessoa é famosa, então ela tem qualidade para ser eleita.
Margô: Celebridades são boas para o partido, porque conseguem muitos votos que acabam elegendo mais candidatos da sua coligação.
Tyago: A eleição desses candidatos é determinada pelo grau de politização de cada estado. Depende da maturidade democrática de cada cidadão.

3) Se o candidato é marinheiro de primeira viagem, qual é a melhor forma de lançá-lo para que ele se dê bem na eleições?

Janaina: Não existe receita, são tantos fatores que influenciam nas estratégias do Marketing Político. O bom é iniciar pela arrecadação. Ele precisa também de um apelo.
Margô: Ele precisa representar um segmento, garantir uma quantidade mínima de votos para conseguir o apoio do partido.
Tyago: Depende do candidato, história política, militância, etc.

4) Com campanhas cada vez mais profissionais, a propaganda do candidato Serra na TV tem algumas coisas desastrosas, como: favela falsa, locutor com voz parecida com a do Lula e mesmo o caso “Serra Comedor”. Como ele comete tantos erros no cenário atual?

Tyago: Existe uma coisa certa nessa eleição: o perdedor. Lula dificilmente não elegerá seu sucessor. O Serra está desesperado (quer associar sua imagem a de Lula, o que é um erro). Criou-se no Brasil a lógica de que o programa do PT é um programa popular, e o do Serra é das elites. Dar continuidade ao que FHC fez com o Brasil seria mais interessante na campanha do Serra.

5) Vocês já venderam um produto (candidato) que não venderiam mais?

Janaina: Somos profissionais contratados e fazemos nosso trabalho que visa eleger o candidato, mas confesso que fico feliz quando o candidato que não acreditamos ser idôneo perde.
6) Antes de elaborar as campanhas é feita uma pesquisa qualitativa?

Margô: Sim, são feitos textos, slogans, materiais, que se mantêm ou são modificados durante a campanha de acordo com as pesquisas.
Tyago: Nem sempre é feito, mas é o ideal. Testes de slogan e de material são importantes para saber o impacto da campanha. Às vezes não se faz pela falta de dinheiro ou de tempo.

7) Qual é a percepção de vocês quanto a idéia de direita e esquerda no Brasil?

Janaina: No Brasil não há fidelidade partidária, tornando mais difícil saber quem é de direita e quem é de esquerda.

8) Quanto ganha profissional de marketing em período eleitoral? Há diferença em fazer a campanha de um candidato ao Governo do Estado e a de um vereador?

Janaina: Existem profissionais que trabalham de graça e políticos que após a campanha elaborada não pagam o acordado. Para sair desse problema é melhor fazer o esquema do marcador de aluguel: meio antes e meio depois. Isso depende do tamanho da campanha e quem é o candidato.

Um coordenador de marketing em uma campanha pode ganhar até 100 mil reais. Mas mesmo que saia com muito dinheiro, no dia após as eleições vai procurar um emprego, porque se dedicou três meses a um serviço que não dá estabilidade depois.

9) Qual sua opinião sobre a “Obanização” das campanhas?

Janaina: Nos EUA há uma diferenciação clara entre republicanos e democratas, ficando mais fácil de definir apoio. No Brasil a internet ainda não tem a força que tem nos EUA.
Tyago: Obama não é uma revolução política e sim de campanha, com o fenômeno da internet para arrecadação e utilização de redes sociais.

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